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quinta-feira, 23 de abril de 2009

36º Dia - Kátia...

Hoje, durante a troca de roupa no vestiário, antes da ordem unida, os colegas que haviam discutido ontem fizeram as pazes. Tudo foi bem espontâneo e bem articulado pelo nosso primeiro xerife do CFP. Ainda bem que nesse sentido, nada mudou...

Tivemos a ordem unida sem alterações, nem nenhuma novidade de qualquer espécie. Somente o novo instrutor tem se mostrado, como direi, severo e gritando muito com todos. Já começaram as encarnações por parte dos colegas com o funk: “Ahhhh, que isso?!?!? Ele está descontrolado!!!” Claro, que tudo pelas costas dos instrutores. A revista pessoal foi feita pelo instrutor Stallone, sendo que a mesma foi praticamente inexistente. O instrutor somente passou pelas fileiras da minha turma.

Como primeira instrução do dia, tivemos a aula de ficalização e policiamento. Nessa aula, foi abordado os diversos tipos de comandos e tipos de operações. Como elas devem ser executadas, quando e onde.

Na segunda instrução tivemos a nossa última aula de inteligência do DPRF. Foram mostrados alguns videos de filmes com “técnicas” de espionagem , também foram mostrados alguns itens como escutas, perucas, kits para aberturas de trancas, etc...

Mais uma vez foi frisada a importância do sigilo das informações, em especial na internet. Foi o fim de uma breve explanação sobre as atividades de inteligência. Em determinado momento, um dos colegas perguntou como os interessados poderiam trabalhar nesse setor. O instrutor disse que era pra gente mandar uma carta para a superintendência demonstrando interesse na área. Foi a oportunidade para mais algumas zuações por parte da turma, já falam que o setor de inteligência é o BBB da PRF.

A terceira instrução do dia, foi a de telemática. Foram contados alguns “causos” em que a falha na comunicaçãofoi o fator principal para que ocorresse a impunidade de delitos. Foi mostrado, também, os métodos e instrumentos de comunicação dentro do DPRF e com as demais polícias. Em especial, foi mostrado como funciona o sistema alerta da PRF, em que o cidadão pode através do site do DPRF preencher um formulário e que em seguida colocará os postos da PRF em alerta para o delito cometido. Contudo, apesar do alerta, é necessário para que seja efetuada a prisão, que a vítima registre a ocorrência na delegacia de polícia civil.

Assim, a vantagem é que ao preencher o formulário , imediatamente, os postos são acionados. Enquanto que pelo registro de ocorrência levariam algumas horas até que os postos fossem acionados.

A quarta instrução do dia foi a nossa última de legislação de trânsito. Incrível, passamos das infrações diretamente para os crimes de trânsito. Assim, ficamos com 1 aula de infrações e 1 aula de crimes de trânsito. Sinceramente, achei que seriam muitas mais aulas e que estas seriam mais aprofundadas. Realmente uma lástima não podermos aproveitar ao máximo o conhecimento dos instrutores. Obrigado caros instrutores, saibam que fizeram um belo trabalho no tempo que nos foi dado. Somente não fora melhor devido a ínfima carga horária. Ao final da aula, tiramos uma fotografia com eles.

A última instrução do dia foi a de acidentes. Vimos os tipos de colisões e como classificá-las. Foi uma aula extremamente teórica, sendo apenas mais flúida por causa das fotos e videos de colisões e atropelamentos durante a instrução.

Ao final das instruções, não tivemos a ordem unida, pois tivemos a visita da Kátia que havia sido prometida ontem pelo instrutor de legislação de trânsito. Lembrando que a Kátia é aquela menina de 18 anos que está em estado semi-vegetativo devido a um acidente de trânsito há 8 meses atrás.
A visita foi extremamente triste, a Kátia chegou acompanhada pelos pais em uma ambulância da PRF. Realmente o clima ficou muito pesado, o aluno Abre-Alas cantou algumas músicas evangélicas para ela, infelizmente o único que sabia a letra era o colega Catupiry. Apesar disso, os alunos tentaram acompanhar a música no ritmo. Oramos um pai-nosso e alguns alunos agradeceram a presença dela no CFP, em especial o colega Wendy. Vários alunos não aguentaram ver o estado da menina e começaram a chorar, outros saíram de perto dela. Acredito que todos os presentes se sensibilizaram pela situação da moça. O único momento que consegui ficar “alegre” foi com a apresentação do instrutor, pois ele não nos apresentou como alunos ou meros candidatos, e, sim, como POLICIAIS RODOVIÁRIOS FEDERAIS.

Já voltando pra casa, pensei em todos os meus problemas, passados e atuais. O atraso com a minha mudança que ainda não chegou me pareceu algo tão pequeno que dava até vergonha. O que são dois meses sem os meus pertences, comparados aos 8 meses que essa moça está presa a uma cama, e, que mais do que provavelmente, ela ficará assim pelo resto da vida... Pela primeira vez na vida, tive a real noção da dimensão e da importância que é o trabalho de um PRF. Estudei tanto pra estar aqui, me esforcei tanto. Quantas horas de estudo, quantos quilômetros  que eu corri, quantos sonhos...Nesse pequeno percurso de volta a minha casa ainda vazia, só com a minha esposa me esperando, foi que percebi que a PRF seria o meu trabalho e que dedicaria minha vida em prol da gloriosa...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

35º Dia - Fim do Recesso e PRF a Polícia Secreta!!!

Terminado o recesso, a vida retoma a rotina do CFP. Logo de cara, na ordem unida, um puxão de orelhas dos instrutores informando que: “Senhores, nada mudou!!!!”. Fizemos, também, a recepção de 4 novos instrutores ao curso. Graças a Deus, não houve erros no tradicional boas-vindas, asteamos a bandeira e cantamos o hino nacional e o do estado do Mato Grosso, passemos as instruções.

A primeira instrução do dia foi a de direitos humanos. A aula foi aquela balela jurídica já esperada. Vimos a evolução histórica dos direitos dos manos e seus conceitos. Nada que fuja a qualquer aulda de faculdade de direito. Após ter recém-acabado a minha faculdade de direito, achei tudo chato demais...

Como segunda instrução, tivemos mais uma aula da inteligência do DPRF, vimos como pode ser fácil obter dados pessoais e como interceptar uma ligação telefônica. Vimos, também, os tipos de senhas eletrônicas e como torná-las fortes, evitando, assim, que houvesse a captura da mesma. Mais uma vez foi frisada a importância do sigilo e da não divulgação de dados na internet. Foi inclusive mostrado um slide com a comunidade da PRF no orkut, comunidade esta que já fui moderador há alguns anos.

A terceira instrução foi a de aspectos legais, a aula foi um tédio só. Como passou a prova em que caiu essa disciplina e não há mais a sombra da avaliação sobre as nossas vidas, toda a galera deu uma torada braba na sala-de-aula. Os que conseguiram se manter acordados ficaram balançando de um lado para o outro, quase caindo da carteira ao som da monótona voz do instrutor Tora de Melo.

Após o almoço, vi no QTS que as instruções no dia de sábado irão somente até o meio-dia e meia. Se isso realmente se concretizar, será ótimo para ter um tempo extra para descansar e estudar para o 2º exame do CESPE que virá mais a frente. Durante o horário do almoço, tirei algumas fotos dos colegas em sala-de-aula torando no chão, algumas engraçadas outras comprometedoras; e se pensar que já passou mais de 50% do CFP.

Como primeira instrução da parte da tarde tivemos a aula de legislação de trânsito. Foi a nossa penúltima aula e só agora adentramos as infrações de trânsito. Sinto que sairemos bem crus nesse quesito e acredito que fará falta no futuro. Um dos instrutores pediu uma contribuição das turmas para custear as despesas de uma vítima de acidente de trânsito. O nome da vítima é Kátia, que se encontra em estado semi-vegetativo, sendo que ela só respira por intermédio de uma traqueostomia e se alimenta por uma sonda nasogástrica. Pelo que pareceu nas fotos mostradas pelo instrutor, ela deve ter lesionado a coluna na altura das vértebras cervicais, não mexendo nenhuma parte do corpo, com exceção dos olhos. Muito triste a situação de uma menina de apenas 18 anos que teve a sua vida interrompida desse jeito. O instrutor disse que veria a possibilidade da Kátia fazer uma visita ao CESUC...

A segunda instrução da tarde foi a de telemática, este foi o nosso primeiro contato com a disciplina. Novamente foi frisado o zelo com as informações e o sigilo. Lembro das palavras do informático: “A PRF tem horas que até parece uma polícia secreta”. Realmente, tenho que concordar, até parece que fiz concurso pra ABIN.

Na instrução propriamente dita não vimos nada demais. Vimos os conceitos básicos de LAN, MAN, WAN, PAN; como ocorrem as consultas sigilosas e a conexão nos postos do DPRF. O quê mais me impressionou foi a taxa de download que é absurdamente ínfima e que todo o acesso a internet passa primeiramente pelo DPRF que censura a maioria dos sites e programas usuais. Ou seja, quem acha que vai poder ficar surfando na inetrnet o plantão inteiro, pode esquecer a ideia.

Ao fim do dia, tivemos mais uma sessão da bronca unida, sem nenhuma novidade. Cantamos o hino do Mato Grosso e saímos de forma ao som dos nossos respectivos brados. Como sempre a minha turma não ficou para bradar novamente, como ocorre com a maioria das turmas. A turma Delta alterou novamente o seu brado. As gozações das outras turmas se fizeram presente, apelidando a Delta como a turma do brado descartável. O brado dura 1 semana e depois você joga fora.

Agora um fato bem chato que ocorreu na minha turma, durante a troca de roupa no vestiário para irmos embora, dois colegas se desentenderam. Ao que pude entender, o colega Catupiry fez uma brincadeira com o colega Damião, tentando montar nas costas dele, e o Damião, quase, o derrubou em cima dos armários. O clima ficou bem tenso, os dois trocando provocações. Espero que isso não signifique o fim da harmonia e união da minha turma.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

1ª Avaliação do CESPE

Hoje foi o dia da primeira prova objetiva do CFP realizada pelo CESPE. Ao chegar ao CESUC, identifiquei que as turmas foram divididas em ordem alfabética, alterando, assim, a disposição normal das turmas. Por uma peculiaridade do destino, fiquei na mesma turma, na mesma sala-de-aula e na mesma carteira que normalmente ocupo no dia a dia do curso. Achei meio estranho e me deu uma sensação que aquele ali realmente era o lugar que deveria estar, que estava no caminho certo, sei lá... Fiquei pensando nisso por alguns minutos até distribuírem a prova e eu ser obrigado a voltar a realidade.

A prova em si, como já havia comentado, foi no padrão do CESPE, ou seja, certo ou errado, só com a diferença de não haver apenações, caso o candidato erre uma questão.

O teste foi bem fácil, visualizo que não há o mínimo interesse do DPRF em reprovar alguém que chegou até essa etapa do certame. Acredito que todos tenham feito a prova tranquilamente e que muito dificilmente haverá reprovações. O tempo de 3 horas dado para a realização das 80 questões foi bem longo, sobrando bastante tempo. Quem optou por levar o caderno de questões deveria ficar até faltarem 15 minutos para o término do prazo para a conclusão da prova. Inúmeras pessoas, aproveitaram esse tempo e dormiram ali mesmo sobre a prova. Após esse lapso temporal, entreguei a prova, levei o caderno e voltei a minha casa pensando na coincidência que ocorreu na qual fiquei na mesma sala, cadeira e turma . Agora é esperar o gabarito oficial e aproveitar os 4 dias de recesso para descansar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

34º Dia - Disponibilizando o meu carro para as Instruções...

Hoje, cheguei bem cedo ao CESUC, mais ou menos pelas 06:30. Pela primeira vez, desde que começou o curso, consegui trocar de roupa completamente só e em paz. Foi ótimo não ter que ficar me espremendo e esbarrando nos outros colegas para conseguir colocar o coturno. Após alguns minutos depois de eu ter me arrumado, o vestiário já fervilhava com os alunos apressados para ficarem prontos para a ordem unida.

Durante a dita cuja, a minha turma foi elogiada pelo instrutor Jean que fazia a inspeção da nossa apresentação pessoal, dizendo: “Muito boa a apresentação pessoal da turma”; “Que sirva de exemplo para as demais turmas”. Sei que é besteira, mas fiquei feliz em receber o elogio coletivo da turma, afinal, acredito que estamos sendo bem disciplinados e empanhados no transcorrer do CFP.

Como primeira instrução do dia, fomos ao batalhão do exército para a instrução de abordagem. Antes de nos deslocarmos para lá, foram requisitados 6 voluntários que pudessem levar seus veículos pessoais para auxiliar na instrução.

Não quis me oferecer de imediato, pois o meu carro está simplesmente imundo. Desde que cheguei ao Mato Grosso, não tive tempo de mandar lavá-lo. Então, dentro do carro está que é uma pelarada do meu cachorro sem fim. Contudo, só 5 colegas levantaram a mão se oferecendo, e o instrutor perguntou: “Ninguém mais tem ou pode ceder o seu veículo?” Desse jeito, não tive escolha e levantei a minha mão deixando o meu carro a disposição do CFP, apesar de saber que vários colegas poderiam tê-lo feito no meu lugar.

Então, ao invés de ir no micro-ônibus com o resto da turma, fui dirigindo o meu próprio carro, levando dois colegas comigo, indo em um comboio de 6 carros, 1 viatura da PRF e o micro-ônibus até o batalhão do exército.

Já no batalhão, foram recapituladas as técnicas de abordagem a motocicletas que foi feita na semana passada e tivemos algum tempo para praticá-las novamente.

Após essa recapitulação, foi demonstrado um exemplo de como não abordar um automóvel. Acho que praticamente tudo imaginável de errado foi demonstrado pelos instrutores, chamaram a colega-usuária de gatinha, filé, etc, bateram no carona, deram a arma pra “usuária” segurar, se posicionaram erroneamente durante todo o procedimento, dentro outros erros graves.

Obviamente, depois foi demonstrada a maneira correta de se abordar um automóvel. Em todos os treinamentos o meu carro foi utilizado pelo meu grupo, ele fizera o papel de viatura quando abordamos a motocicleta e o papel de carro de passeio na abordagem a automóveis. Detalhe, em um dado momento eu estava na moto com um colega na garupa e éramos abordados como sendo criminosos. Durante a revista o simulacro de arma de madeira que o colega escondeu passou despercebido, só não consegui pegá-lo para “matar” os colegas. Fui descoberto na hora que retirava o simulacro da cintura do colega.

Após várias simulações e demonstrações, fomos elogiados pelos instrutores de abordagem. Até o presente momento, acredito que a minha turma seja a melhor de todo o CFP, até os alunos das outras turmas admitem esse fato. Nunca fomos punidos por qualquer infração e nunca ficamos depois do horário de encerramento por alguma punição.

Terminada a instrução, voltamos em comboio até o CESUC, estacionei o meu carro em frente ao prédio e adentrei com os colegas no CT.

Como última instrução da manhã, tivemos a última aula de legislação de trânsito antes da prova. Mais uma e pela última vez, vimos os equipamentos obrigatórios. É bem complicado decorar todas as nuances das datas de quando pode ou não serem cobrados cada equipamento obrigatório e como estes devem se apresentar no veículo.

Após o almoço, toda a galera aproveitou o tempo que restava no intervalo para estudar ou dormir., dormindo pelo chão mesmo.

Na parte da tarde, a outra metade da turma foi fazer a prova de técnicas de defesa policial. Enquanto isso, a outra metade da turma que já havia feito a avaliação ficou na sala estudando para a prova.

Claro que demos aquela espiada na galera que fazia a prova. Em especial, vi a prova do colega que dei um apoio durante o nosso primeiro contato com o gás CS no estande de tiro. O instrutor Jean sacudiu tanto o colega, que os braços dele iam de um lado para o outro sem o mínimo controle, parecendo um daqueles bonecos de posto de gasolina. A atuação do colega provocou risos de quase a totalidade daqueles que viram a prova dele pela janela da sala.

Após o teste, a metade da turma que fez a prova não teve aquele momento de relaxamento com o orientador Caju, retornando logo em seguida para a sala-de-aula.

Como a galera que retornou estava exitada por terem acabado de fazer a avaliação, aquele clima de estudo foi interrompido e começaram os comentários a cerca de como cada um foi no teste.

Passados uns 15 minutos, os instrutores adentraram a sala, essa seria a despedida de dois deles. Sendo que um dos instrutores conseguiu uma autorização para ficar conosco em outra disciplina. Foi muito comovente, inclusive o instrutor Padre disse que tínhamos marcado a vida dele , pois desde 2002 quando adentrara os quadros da PRF ele queria ser instrutor de um CFP. E que, somente agora, ele conseguiu realizar esse objetivo. Foi simplesmente espetacular, aquela aparência de “ruindade” caiu toda por terra. No final, apertamos as mãos, os cumprimentamos e tiramos algumas fotografias com eles. Fotos, as quais, espero poder ter acesso no futuro.

Com o fim das instruções, já que o último tempo ficara vago, fizemos ums espécie de concurso de imitações. Claro que os alvos eram os instrutores do CFP ou alguns dos colegas de curso. Sendo um momento muito engraçado, em que todos, inclusive os instrutores presentes riram muito e nos divertimos.

No fim do dia, durante a ordem unida, ficamos sabendo de algumas “novidades” do mundo exterior. Alguns alunos sabiam do que se tratava, outos, não faziam a mínima ideia do que estava sendo comentado. Faço parte deste segundo grupo, não sei de absolutamente nada do que acontece no mundo hoje em dia. O CFP preenche quase todo o meu dia e quando volto pra casa só quero saber de descansar ou dormir.

Comentaram que a Itália havia sofrido muito com graves terremotos, que o estado do Pará estava sendo assolado por enchentes e que um PRF havia falecido assassinado do Rio de Janeiro. Durante o fim de semana descobri que o colega havia sido morto na mesma rua em que eu morava no Rio, só que em outro bairro, pois a rua é bastante extensa. Também foi feita a menção de que um deputado estadual dera uma entrevista a um jornal local e dissera: “A população que vive ao redor das rodovias sofre com um elevado índice de acidentes e criminalidade, enquanto há 154 PRFs aquartelados em Cuiabá!!”. Óbvio que ele se referia a nós, infelizmente ainda não somos policiais, mas em breve estaremos na pista. Aguarde mais um pouco pelos novinhos da PRF, sr. Deputado...

O orientador disse, também, para aproveitarmos bem o recesso, para recarregarmos as energias para aguentarmos a 2ª parte do CFP. Que o intuito do curso não era reprovar ninguém, mas que, infelizmente, dois candidatos já haviam desistido do curso, um por razões médicas e outro por não aguentar o tranco. Acho uma lástima essas desistências, fico imaginando a frustração do candidato 148 que foi chamado por engano pelo CESPE e depois desconvocado. Sinceramente, desistir não é uma opção válida para quem realmente quer ser PRF.

Por fim, ficamos sabendo quem seriam os xerifes da próxima semana. Na minha turma, foi a última das três colegas. Assim, todas as meninas da minha turma passaram pelo xerifado. Foi feita a “transferência de poderes” e demos fim a primeira parte co curso de formação com o nosso brado. Agora é aproveitar o pouco tempo restante para estudar para a prova de amanhã. Que Deus ajude a todos nós...


quarta-feira, 15 de abril de 2009

33º Dia - Estudando pra Prova...

O dia de hoje no CFP foi bem tranquilo sem ter muito o quê comentar. A ordem unida ocorreu praticamente sem alterações. Durante a sua execução, tivemos que cantar o hino do Mato Grosso, sendo que alguns alunos foram flagrados balbuciando o hino sem saberem de cor a letra. Estes alunos foram levados a frente da ordem unida e sancionados por não saberem o hino, que o Mato Grosso seria o estado que nos acolheria e para o qual prestamos o concurso, que ficaríamos praticamente a vida laboral inteira lá, e tome sermão...

A primeira instrução do dia foi a de legislação de trânsito; nela vimos alguns dos itens obrigatórios dos veículos e em quais casos deveríamos autuar os veículo infratores.

A segunda aula foi sobre atendimento a acidentes, sinceramente, não me recordo muito da aula, pois fiquei a maior parte do tempo estudando para a prova objetiva que ocorrerá na sexta-feira. Pelo pouco que vi, passaram algumas fotos de acidentes mostrando decaptações e desmembramentos.

A terceira instrução da parte da manhã foi a de relações humanas. Outra vez, ocorreu uma dinâmica em sala-de-aula. Desta vez, tínhamos que fazer uma pergunta sobre um tema da matéria que fora sorteado previamente, e, após, passar a pergunta para o colega ao lado. Assim, passando de mão em mão, de colega em colega, as perguntas percorreram toda a sala. Foi bem produtivo, deu para dar uma boa estudada sobre a matéria da prova... rsrsrsrsrsrsrsrs

Durante o almoço, ficamos sabendo que saira o edital da prova de sexta-feira e que a prova seria no mesmo modus operandi dos certames anteriores. Ou seja, a prova será de certo ou errado sem apenação, não havendo perda de 1 ponto para questões respondidas erroneamente.

Na primeira aulda da parte da tarde tivemos outra aula de inteligência do DPRF. Foram mostradas estatísticas, como evitar assaltos, como se posicionar com seu veículo no trânsito, como evitar a divulgação de informações, etc.

A última instrução do dia foi a de ed. Física. Nela, fizemos a 2ª etapa do “teste” de 2ª feira. Fomos ao batalhão do exército, diferentemente do usual em que vamos correndo, fomos nos ônibus e micro-ônibus da PRF. No batalhão, corremos e saltamos que era a parte que havia faltado do teste. Consegui correr e saltar mais do que na primeira avaliação feita no início do curso. O que me surpreendeu foi o fato de saltarmos melhor após termos corrido.

Após todos terem realizado o pseudo-teste, voltamos ao Cesuc da mesma maneira que fomos, nos micro-ônibus e ônibus.

Na ordem unida para fechar o dia, a turma Charlie ficou além do horário, sendo mais uma vez punida pelos instrutores.

terça-feira, 14 de abril de 2009

32º Dia - Avaliação de Técnicas de Defesa Policial

Hoje, durante a ordem unida, fomos orientados a fazer um aquecimento e alongamento para nos prepararmos para a nossa avaliação de técnicas de defesa policial. Sendo que só metade da turma fez a prova hoje, e a outra metade foi ao ginásio fazer a limpeza do local, vestidos com o uniforme de ed. Física. A nossa atual xerife foi a primeira a fazer a prova e os demais iam em ordem numérica. Após a prova, não deveríamos voltar para a sala-de-aula, e, sim para uma sala vazia no primeiro andar. Fui vendo os colegas irem fazer a prova um por vez, até a hora que chegou a minha vez. Os instrutores gritavam com você para te pressionar e te colocar o mais nervoso possível, sendo que uns dos instrutores havia dito para a turma que o teste só começaria a valer após fosse feito o primeiro rolamento.

O instrutor com máscara de eski me segurou pelo kimono dizendo que era somente a voz da minha consciência e gritava perguntando enquanto me sacudia: “Você quer viver ou morrer?!?!?; Você não deveria estar aqui!!!!; Você quer mesmo ser polícia???” Respondi a todas as perguntas e tal e recebi como resposta: “Péssima escolha aluno!!!” Enquanto, era sacudido, não podíamos reagir de qualquer forma. Toda fez que era sacudido, tentava segurar nos punhos do instrutor para evitar as sacudidas, sendo veementemente censurado por isso várias vezes.

Após o primeiro rolamento veio a primeira agressão. Um dos instrutores veio e me deu um chute lateral, como sou pesado, sabia que não daria tempo de desviar e bloqueei o chute com uma das pernas e não sofri nenhuma lesão. Realizei, na sequência, o segundo rolamento e um dos instrutores veio e ficou gritando na minha frente. Não consegui entender o quê ele queria, até que o instrutor da máscara de eski veio por trás e me deu uma gravata. Consegui desequelibrá-lo e derrubá-lo pra trás caindo por cima dele. Fiz o terceiro rolamento, o instrutor veio com as mãos esticadas como se fosse me dar um empurrão e fiz uma torção no punho dele que sabia de quando fazia aikidô e este foi ao chão. Finalizada a avaliação, os instrutores disseram que fui muito ruim e que poderia repetí-la na mesma hora se quisesse. Disse que tudo bem, faria de novo sem problemas. Os instrutores mandaram eu pagar 10 flexões de braço e na sequência me mandaram embora, dizendo que tinha acabado. Bom, finalmente acabada a prova, a única lesão que tive foi no meu pescoço que ficou um pouco dolorido pelas sacudidas que o instrutor com máscara de eski deu em mim, antes do início da prova.

Vários colegas que comentaram comigo sobre a prova, saíram reclamando dos chutes que encaixavam no plexo ou no abdomem.

Após todos os alunos terem feito a prova, fizemos um relaxamento com o orientador-pedagógico. Acredito que fora uma pequena aula de Yoga. Fora falado sobre a energia dos seres vivos e das coisas e tal. No final, chegamos, inclusive a fazer massagens uns nos outros... Sem preconceito, mas por coincidência, o orientador era gaúcho...

A instrução que seria a terceira do dia, foi novamente sobre a inteligência do DPRF. Fiquei atualizando este diário até que surgiu o papo de salário, nível superior, novo concurso e remoções. Fiquei sabendo que o concurso nacional para 750 vagas foi autorizado ontem, e que a lotação para este concurso será de no máximo para abril de 2010. Que ilusão meu Deus...

Os últimos dois tempos tivemos a instrução de socorrismo. Nela vimos os procedimentos corretos técnicos para podermos retirar vítimas de veículos acidentados, preservando a sua integridade física. São 3 procedimentos distintos que podem ser utilizados dependendo da condição física das vítimas e/ou do local do acidente. Durante a instrução fui repreendido 3 vezes por dormir em sala-de-aula, sendo que todas as vezes eu estava acordado. Não entendi absolutamente nada, será que o instrutor não foi com a minha cara?

Ainda durante a instrução fomos para a quadra coberta praticar as técnicas de socorrismo que visualizamos em sala. Na prática, pude notar o quão complicado é se retirar uma pessoa de um carro e que se o veículo for alto é pior ainda. O treinamento fora realizado em viaturas caracterizadas da PRF. Para conseguir retirar uma pessoa de um veículo sem balançá-la ou mexer sua cabeça é praticamente impossível. Espero que com a prática eu possa melhorar na execução destas técnicas e poder retirar a vítima de dentro do veículo sem aumentar ainda mais suas lesões.

Após a aula, os instrutores deram apenas 5 minutos para nos arrumar e sair do vestiário. Claro que não deu tempo e um dos instrutores deu uma borrifada generosa no ar com o gás de pimenta dentro do vestiário e ficaram segurando a porta para evitar que alguém saísse. Pude notar que os efeitos são bem mais brandos do que o gás CS, a única alteração que me proporcionou é uma grande vontade de espirrar. Outros alunos ficaram quase morrendo dentro do vestiário. Sinceridade, não era pra tanto ou sou meio imune ao gás de pimenta.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

31º Dia - Teoria e Muito Tédio...

Hoje, durante a troca de roupa no vestiário, conversei com o colega Tigre da turma Bravo. Ele me contou que tomou 3 penalidades, 2 leves e 1 média. Pelo que entendi essas foram impostas em decorrência do incidente de sexta-feira no parque Mãe Bonifácia. Ao que parece, o colega foi até advertido por escrito por desrespeitar e denegrir a imagem da PRF. Acho que não era para tanto, mas...

Durante a ordem unida, a nova xerife parece estar levando a liderança da turma na brincadeira, pois fica o tempo inteiro rindo e sorrindo. Pode até ser nervosismo por parte da colega, mas o quê transparece para todos é que é deboche. Ainda durante a ordem unida, fomos apresentados a 2 novos instrutores, e, também, cantamos o hino nacional. Quem estava comandando as turmas era o instrutor Gean, parece que ele também tem um problema na sua voz, pois deu 2 engasgadas terríveis. Acredito que alguns não tenham segurado o riso , porém todos rimos por dentro.

Tivemos como primeira instrução da semana uma aula teórica sobre a legislação de trânsito. Vimos quais os documentos de porte obrigatório e quais os equipamentos obrigatórios. Não houve muito sobre o que comentar aqui.

Como segunda instrução tivemos a aula sobre a inteligência do DPRF. Nela ficamos sabendo que esta disciplina não cairá nas avalizações do CESPE e que nem haverá apostila. Ou seja, a instrução se transformou em um tempo “vago” para estudo e tora sem problemas de consciência.

Na terceira aula tivemos como tema os acidentes. Foi um tédio total!!!! Fora passado os conceitos de pista, via, faixa, trânsito, tráfego, etc. Simplesmente um saco... Mais da metade da turma cambaleava para os lados querendo dar uma toradinha básica.

Após o almoço, tivemos uma aula teórica sobre relações humanas. O foco da aula foi totalmente desviada, pois uma das outras turmas estava fazendo a prova prática de defesa policial. Sendo que da minha sala-de-aula dava para ver por uma janela a quadra coberta do CESUC, onde ocorria a prova. Então, toda a turma se apilhou para ver os alunos da outra turma fazendo o teste. A aula simplesmente deixou de existir em função disso.

Vou relatar resumidamente o quê pude ver pela janela. Um dos instrutores se pendurou na grade e começou a se sacudir gritando. Este instrutor usava roupas normais e uma máscara de eski, fazendo uma total analogia ao Jason do filme Sexta-feira 13. O aluno que fazia a prova era balançado, sacudido, agarrado e agredido por um dos instrutores. Enquanto observava, fui chamado a atenção 2 vezes durante a aula por estar espiando pela janela. A aula em si foi bem tranquila e tínhamos que listar as mudanças ocorridas desde que viemos para o Mato Grosso. A única coisa que conseguia lembrar era da minha mudança que ainda não saiu do Rio de Janeiro. Não aguento mais ficar sem minhas coisas. Morar em uma casa que não tem absolutamente nada tá bem difícil.

No último tempo do dia, tivemos a pseudo-avalização de ed. Física. Fizemos um aquecimento e alongamento embaixo de chuva, e nos dirigimos para a quadra coberta. Lá fizemos as flexões e abdominais, sendo sua quantidade contada pelos instrutores. Fui pior nas flexões e melhor nos abdominais que no primeiro TAF diferenciado. Sinto muita falta de frequentar uma academia, sinto estar perdendo massa muscular...

Após a ordem unida, fomos liberados ao contrário do que costumamos fazer. Sempre fizemos da Alfa à Delta, desta vez, fizemos da Delta à Alfa. Como acontece costumeiramente, a apresentação da turma Delta foi ruim, eles tiveram que repetir o brado umas 4 vezes. Detalhe que eles também mudaram o brado, assim como a turma Charlie na semana passada. Dou graças a Deus por não estar na turma Delta, quando saí arrumado paisano do vestiário eles ainda estava lá formados tentando “acertar” o brado.

sábado, 11 de abril de 2009

30º Dia - Vacilos e Nova Xerife

Hoje, após a ordem unida, tivemos uma instrução muito boa sobre as armas longas. Primeiramente, treinamos como progredir em dupla, um ia na frente e esperava o outro que fazia a cobertura. O outro ao chegar no colega o ultrapassava e este que ficou pra trás passava a fazer a cobertura. Após esse exercício, fizemos um treinamento de progressão com anteparo, ou seja, com obstáculos físicos. Nesse segundo treinamento, o exercício foi realizado em uma cadência. Ia um colega, chegava ao anteparo e outro ia para dar a cobertura ao primeiro e um terceiro tomava o lugar do segundo e assim em diante.

O terceiro treinamento foi um fatiamento em que fazíamos o avanço em quartetos. Deveríamos estar atentos a tudo, pois cada janela ou porta podia ser utilizada pelos “alunos-malas” para efetuarem “disparos” na gente. Uma das colegas fez o exercício conosco, meu Deus, fora um fiasco a atuação da colega. Ela não tinha a mínima noção do que estava fazendo, a sua cobertura era inexistente, pois ficava mirando as paredes. Fora o fato de ficar falando alto durante toda a execução do exercício, sendo que nos fora instruído a somente nos comunicarmos por gestos.

O instrutor falou que era para o grupo se dividir e ir metade para cada lado do corredor. Fui em dupla com essa colega pelo lado esquerdo. Deveríamos olhar todos os cômodos até o bebedouro. Em uma sala estava um “aluno-mala” que foi “morto” pela colega. Tinha sobrado o banheiro masculino, sem saber se era ou não para adentrar fiquei na dúvida. A colega disse: “Vamos lá!!! Tem que entrar!!!”. E, assim o fiz. Entrei no banheiro e fiz o fatiamento, uma das portas estava aberta não representando perigo. A porta do meio estava semi-fechada, dei um chute nela que se abriu sem ter ninguém dentro. A terceira e última porta estava fechada, dei um chute leve na porta e ela estava trancada. Olhei por baixo da porta e vi 2 pés, nisso falei: “Já te vi, porra!!! Sai daí com as mãos pra cima!!!”. Recebi como resposta: “Tô cagando aqui aluno, vai brincar em outro lugar!!!”. Nos entreolhamos, rimos e sorrateiramente saímos do banheiro sem dizer mais nada. Claro que contei o fato para os demais colegas e rimos bastante da situação depois.

Agora, em relação aos procedimentos, visualizei o quanto é difícil fazer o fatiamento em progressão em escadas. É extremamente complexo prestar atenção a tudo a sua volta e ainda avançar pelos degraus fazendo mira. Finalizando a instrução fizemos uma mais do que merecida manutenção nas calibre 12 que já se encontram bem enferrujadas.

A segunda instrução do dia foi a de pistola, foi basicamente uma repetição das aulas que tivemos na 3ª e 5ª feira. A única diferença é que simulamos uma das panes e como resolve-la uma vez só; e, também, uma breve demonstração de como fatiar com as pistolas. Durante as instruções com a pistola está sendo muito cobrado o quesito segurança e posicionamento.

Já ia me esquecendo, a turma também foi dividida em 4 fileiras de 10 alunos cada, 1 por alvo, para o dia de treino no estande de tiro. Também foi explicado a pontuação que obteremos ao atingir o alvo em determinado local. O instrutor falou para tomarmos cuidado para não confundirmos o alvo, pois caso atiremos no alvo do colega os melhores tiros irão para ele e os piores serão os nossos. Dessa forma, ficaríamos com uma pontuação bem baixa, sendo prejudicados. Ao que parece, as nossas próximas intruções de pistola já ocorrerão no estande de tiro.

A terceira aula do dia foi a de fiscalização, dessa vez ela não foi teórica. Fomos para uma rua lateral do CESUC e divididos em vários grupos de 6 integrantes. Cada grupo foi chamado de cada vez. Lá tínhamos que abordar um carro, em trios, e verificar os documentos, itens obrigatórios e entrevistar os usuários da rodovia.

Na minha vez, eu fiquei meio perdido, sem saber ao certo o que perguntar e como perguntar. (Ainda não tivemos essa instrução sobre a entrevista.) Espero que eu melhore um pouco com o avançar das aulas e aprenda o quê perguntar e como proceder. Após a abordagem, praticamos como preencher um auto de infração em relação ao indivíduos abordados e suas infrações, que eram as mais variadas possíveis.

A primeira instrução da parte da tarde foi a de legislação de trânsito. A aula foi bem light, revimos as classes de habilitações e alguns documentos e procedimentos com condutores habilitados em países estrangeiros. Torei em diversos momentos durante a aula. Desculpe-me instrutor, mas o cansaço está batendo a porta.

Um fato inusitado, tivemos o último tempo livre , ficando a cargo da administração as atividades. Então, usamos metade deste tempo para treinarmos as técnicas que teremos utilizar na prova prática de defesa policial, que virá na próxima semana.

Em determinado momento, o colega Gilberto, aquele mesmo que fez as marcações no bosque da barra comigo, falou que o xerife da semana que vem seria escolhido por votação da turma. Os colegas que estavam mais próximos ouviram e começou um falatório, sendo mencionado o nome de uma das 3 colegas da minha turma. Lembrando que uma delas já foi xerife na 3ª semana e que não poderá ser novamente indicada.

Após o treino no tatame para a prova de técnicas de defesa policial, o orientador-pedagógico foi a minha sala e qualificamos algumas das instruções já ministradas para que os instrutores e as disciplinas fossem “avaliados”. Terminada as qualificações, fora aberta a votação para o novo xerife. Novamente, parte da turma indicou o nome da colega. Acredito que a indicação foi mais como uma brincadeira de mau-gosto, pois essa colega é a menos integrada da turma. Sendo que essa colega dirige pouquíssimas palavras de cordialidade e muitas críticas e reclamações. Inclusive, em momentos, como direi, pouco propícios. Só para situar, a colega indicada foi a mesma que entrou comigo no banheiro masculino no exercício de fatiamento pela manhã.

O orientador perguntou quem queria que a colega fosse xerife. Mais da metade da turma levantou as mãos. Depois, ele perguntou quem era contra a indicação. Ninguém levantou a mão. Dessa forma, a colega ficou sendo eleita a xerife da minha turma da 6ª semana.

O orientador chegou até a falar que estava curioso em saber o quê a colega tinha feito para merecer aquilo. Assim, que o orientador saiu da sala a colega se manifestou, perguntando porquê a gente tinha feito aquilo com ela e tals. Alguns alunos falaram para a gente falar com o orientador para alterar a votação, outros falaram para deixar quieto, pois querer mudar agora seria pior. E, ainda, uns poucos falaram que seria bom pra ela , porque ela tem uma certa dificuldade em lidar com o público e que seria uma oportunidade ímpar de crescimento.

No começo, levei o assunto, como a maioria da turma, na mais pura brincadeira. Contudo, após a turma, em sua maioria, sair para a ordem unida e ver a colega chorando, afirmando que se sentiu traída; me senti muito mal e acredito que a decisão da turma foi errada para com a colega. Sinceramente, não acho que a menina tinha que passar por essa situação.

Na ordem unida, recebemos mais um tremendo esporro dos instrutores. Sendo que não tínhamos um tão grande e grave desde a primeira semana de curso. Os instrutores reclamaram da falta se seriedade e do desleixo dos alunos em relação ao material pessoal. Que não podíamos deixá-lo espalhado na sala-de-aula, nem, tão pouco, nos vestiários. Fora reclamado, também, das escolhas dos xerifes, que deveríamos escolher líderes e não usar essa indicação para punir alguém.

Como sanção pela desorganização do material, tudo aquilo que não estivesse dentro dos armários ou da pasta na sala-de-aula estaria na quadra. Alguns itens estavam pindurados nas vigas de sustentação e na cerca que reveste as laterias da quadra. Foi dado pelos instrutores alguns minutos para pegarmos nossas coisas. Na quadra, achei a pasta de um dos colegas e a minha foi achada por outro aluno. Após o recolhimento do material pessoal de cada aluno, ficamos em forma e fomos submetidos a uma boa dose de gás CS na quadra. Indo uma turma por vez ao encontro do gás. As turmas Charlie e Delta se deram pior, pois tiveram uma granada de CS para cada uma. Enquanto as turmas Alfa e Bravo pegaram o restinho do CS da turma Charlie. Consegui, inclusive, ficar com os olhos abertos durante a maior parte do percurso. Lembrando, que ficamos correndo em círculos na quadra.

Após a sessão de gás, tivemos que guardar o material recolhido dentro dos armários. Detalhe, os vestiários estavam repletos de gás de pimenta. Notei que o vestiário das turmas Charlie e Delta estavam bem mais infestados. No vestiário da Alfa e da Bravo os efeitos quase não foram sentidos. Era nítida a diferença, pois os alunos das turmas Charlie e Delta saíam do vestiário passando muito mal, chegando alguns a quase vomitar. Pelo que entendi a represália foi devido a alguma atitude da turma delta.

Em dado momento, alguém de uma das turmas falou que era para passar por cima dos instrutores que fecharam a saída da quadra com granadas de gás CS na mão, na hora em que estávamos recolhendo os materiais espalhados na quadra. Os instrutores pediram para a pessoa que havia dito aquilo se entregar, mas ninguém de nenhuma das 4 turmas se manifestou. Então, os instrutores provocaram o culpado, afirmando que o aluno fosse homem para se entregar, caso contrário todos os alunos sofreriam sanções por causa de um único indivíduo. A minha turma começou a murmurar: “Levanta geral... Levanta geral... Vamos lá, todo mundo...” E toda a minha turma foi levantando, sendo seguida pelas outras turmas. Mais uma vez a minha turma demonstrou grande espírito de corpo e união, ficando todos sem punição alguma. Afinal, como punir um curso inteiro???

No fim, os atuais xerifes passaram a responsabilidade da turma para os xerifes eleitos. Isso foi uma novidade, pois essa “cerimônia” de passagem não existia. Ficamos todos da turma em uma posição parecida com a de flexão de braços, só que com os ante-braços no chão. O atual xerife falava: “Eu, Fulano de tal, nº XX, xerife da turma XX, passo a responsabilidade para o Aluno Cicrano de tal, nº XX”. E o novo xerife respondia: “Eu, Cicrano de Tal, nº XX, assumo a turma XX como novo xerife e sem alterações.” Cicrano de pé 1, 2... Fulano 3...4! Novo Xerife: “Turma XX de pé!!! 1...2” A turma respondia ficando de pé: “3...4!!!”

Após esse procedimento todo e do fora de forma com o brado da turma, fomos liberados para o descanso de domingo. Enquanto a minha turma trocava de roupa no vestiário, ainda dava para ouvir a turma Delta pagando flexões de braço como punição por Deus sabe lá o quê.

Durante todo o imenso esporro unido, foram quase 3 horas direto, pagamos muitas flexões de braço e polichinelos. Ficamos também vários minutos da posição de flexão modificada com os ante-braços no chão. A semana passou muito rapidamente, mas o seu encerramento parece que durou uma eternidade.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

29º Dia - Nostalgia e Descontração.

Hoje, os relatos começam antes do início da ordem unida. Ao adentrarmos os CESUC, notamos que a parte onde fica a minha sala estava fechada e com 2 cachorros da raça Pit-Bull soltos lá. Começou aí um bate-boa como iríamos entrar lá e quem deveríamos chamar para poder prender os bichos, etc. E os dois cachorros ficavam ali na porta latindo e rosnando sem parar para qualquer um que chegasse perto. Neste momento, se aproximou um dos intrutores e começou a mexer com os cães, os bichos ficaram doidos, parecendo que iam derrubar a porta para poder atacar o intrutor. O instrutor, calmamente, retirou um spray de pimenta do cinto tático e deu uma borrifada entre a tela da porta no focinho dos cães. Resultado, os cães saíram correndo e não se aproximaram mais da porta, por mais que se fizesse barulho ou os provocasse.

O instrutor saiu de perto da gente e disse: “Ninguém viu nada, ok?”. Claro que todos os presentes concordaram, não com a atitude em si, mas com o fato do ocorrido permanecer em segredo.

Durante a ordem unida, recebemos de volta o orientador-geral que havia retornado ao seu estado de origem e demos adeus ao seu fraco substituto com suas falhas na voz, após o seu último sermão.

A primeira aula do dia foi teórica. Aprendemos como preencher um Auto de Infração e algumas de suas peculiaridades. Durante a instrução, rolou pela sala os convites de formatura das turmas PRF de 2006.1A e 2006.1B que haviam se formado no CTSUL. Lendo as mensagens nos convites, me dei conta que a minha própria formatura não está tão longe assim. Um sentimento nostálgico me dominou e lembrei de vários momentos nos últimos anos nos quais abdiquei de muitas coisas da minha vida para poder estar aqui no CFP. Foram incontáveis horas de estudo, de ansiedade e esforço; sendo que não havia ainda sido terminada a incrível jornada para poder virar um PRF, mas que não tardaria para ocorrer o seu desfecho.

Durante a instrução em si, ainda aconteceu uma coisa, um dos alunos que sentam na parte da frente pediu para que alguém ligasse a luz, sendo imediatamente criticado pelos colegas do canto da preguiça. Então, este aluno foi e abriu a persiana da sala, o Paladino foi e fechou a mesma afirmando que a luz atrapalharia a torada dos colegas, e, este impasse, ficou no ar por algum tempo. No final, a persiana ficou parcialmente aberta.

A segunda intrução do dia doi a de abordagem, dividimos a turma e nos deslocamos nos micoônibus até o quartel do exército onde sempre ocorre a instrução. Chegando lá, a galera do meu micro-ônibus ficou encarregada de pegar as motocicletas para que começasse a aula. Treinamos como abordar indivíduos suspeitos em motocicletas, desembarcando das viaturas que permaneciam estacionadas lógicamente. Eram somente 3 viaturas para o treino de 39 alunos. O tempo foi bastante escasso para que todos pudessem treinar adequadamente. Segundo os instrutores, serão disponibilizadas mais oficinas para que treinemos por mais tempo para que conseguissemos adquirir a tal memória muscular.

Durante as demonstrações das técnicas de abordagem, relembramos as técnicas de como algemar uma pessoa. Em um dado momento, o intrutor pediu para uma das colegas, a menor e mais frágil delas, realizar a técnica de torção e algemá-lo. Na hora em que a colega executou o movimento, o instrutor, que tinha um porte físico considerável, deu um gemido de dor bem alto. Óbvio que toda a turma caiu na gargalhada, inclusive os outros 3 instrutores.

Finalmente, presenciei um fato que já havia sido relatado por alguns colegas de curso, o puxassaquismo de um dos colegas para com os instrutores. A galera toda se reuniu para poder tirar uma foto na frente de uma viatura F-10 e esse colega do nada falou para um dos instrutores: “Senhor... senhor... por favor, senhor... Nos dê a honra!!!” Vejam bem, não que eu não quisesse que o instrutor viesse e saísse na foto, mas foi uma atitude completamente desnecessária e até ridícula por parte do colega. O colega não escapou da zoação da turma que caiu na pele dele até dizer chega. Confesso que fui eu quem puxou a zoeira e fui quem mais zuou, mas fazer o quê. Fora a pagação, a instrução foi bem dinâmica e envolvente. Acredito que a cada instrução de abordagem, as turmas se sentem cada vez mais policiais.

Findada a instrução, retornamos ao CESUC e os comentários sobre a lotação, remoção e o certame nacional que virá, tomaram corpo no micro-ônibus.

No intervalo da hora do almoço as zuações continuaram ocorrendo. Um dos colegas foi “presenteado” com um empanado de frango na pasta com o seu material e outro teve suas unhas pintadas com corretivo, enquanto dormiam no chão da sala de aula.

A primeira instrução da parte da tarde foi a de legislação de trânsito. Nesta, aprendemos quais os documentos de porte obrigatório. Sinceramente, me surpreendi quando o instrutor afirmou que haviam mais de 100 documentos de porte obrigatório.

A segunda aula da parte da tarde foi a de educação física. Graças a Deus foi uma aula diferente das anteriores, entramos no ônibus e no micro-ônibus e fomos até o parque da cidade o “Mãe Bonifácia”. No parque, os instrutores falaram que seria uma instrução de relaxamento, que caminharíamos em grupos de 4 indivíduos pelo parque. Caso quisessemos também poderíamos fazer o percurso correndo. Foi muito bom e este momento de descontração, ficamos passeando olhando a natureza do parque e conversando sobre o que o futuro nos aguardava durante todo o tempo que nos foi dado.

Na volta ao CESUC, a galera do meu micro-ônibus puxou uma cantoria de umas músicas sertanejas muito antigas, tipo “boate azul” e “fuscão preto”. Fiquei completamente deslocado, pois não conheço a letra de nenhuma dessas músicas . Não faz nem um pouco parte do meu gênero musical, mas gostaria de ter acompanhado a galera por causa da zuação.

Já no CESUC, tomamos um baita esporro, pois um dos colegas da turma bravo “abordou” uma transeunte no parque. Sendo que os intrutores tinham avisado que não era para falarmos com ninguém enquanto estivéssemos no parque.

O instrutor deu como exemplo o colega da minha turma, o Abre Ala, que, pelo que pude entender, ajudou um menino no parque de alguma maneira. O instrutor falou durante o sermão que não deveríamos ser APENAS honestos, tínhamos que PARECER honestos. FO positivo pra você, Abre Ala. A atitude foi só sua, mas repercutiu em toda a turma.

Ao que parece, não haverá mais este tipo de instrução descontraída e em locais abertos ao público em geral. Muito obrigado colega Tigre da turma Bravo pelo presente a todos os alunos do CFP...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

28º Dia - Vacilos generalizados e uma desistência.

Hoje, durante a ordem unida, ficamos sabendo por intermédio do orientador-geral, que um aluno da turma Charlie havia desistido do CFP. E, depois, perguntou quem estava feliz por estar participando do curso. Após alguns segundos, todos os alunos das 4 turmas levantaram os braços. Após averiguar a resposta dos alunos, o orientador começou a discursar afirmando que não tínhamos motivos para estarmos desanimados, nem tristes, pois tínhamos a saúde perfeita e que tínhamos que aguentar a pressão do curso. Afinal, segundo ele, a vida após o término do curso e com o ingresso na PRF tudo seria muito mais estressante, desafiador, etc. E que não possuíamos idéia do que nos esperava na pista.

Detalhe, durante os comandos para as turmas, o orientador-geral deu outra vacilada na voz. Só que desta vez foi no comando de sentido. Sendo mais ou menos assim: "ATENÇÃO!!!", "CURSO..."; "SEN...tido!" Não preciso nem falar que não teve um aluno que não riu da situação. Claro que todos tentando conter o riso, embora, na maioria dos casos, em vão.

Após a ordem unida, a minha turma se dividiu e adentrou os 2 microônibus para irmos ao ginásio para nossa última aula de defesa policial antes da avalização na semana que vêm.

Durante o deslocamento, o assunto era o mesmo em todo o microônibus e acredito que o mesmo tenha ocorrido em todas as turmas: o sermão do orientador-geral e a sua nova falhada com a voz esganiçada. Após algumas zuações com o problema do orientador, alguém no fundo do ônibus surgiu com a "canção do guerreiro feliz": "Todo mundo tá feliz!!! tá feliz!!! Todo mundo quer abordar!! Quer abordar!!!" A canção continuou até o ginásio arrancando mais gargalhadas da galera.

Na aula de defesa policial em si, aprendemos como escapar de alguns estrangulamentos. Alguns com princípios do Judo e outros com técnicas variadas do aikido. Praticamos bastante as técnicas demonstradas. Só fiquei com pena do colega que praticou comigo, pois ele é um dos mais baixos da turma e eu sou um dos mais pesados do curso. O coitado sofreu muito ao executar as técnicas de projeção. Durante as práticas fiquei auxiliando alguns colegas que nunca haviam tido contato com artes marciais anteriormente, tentando explicar e demonstrar a correta execução dos movimentos.

Acabada a instrução, voltamos ao CESUC, para a 2ª instrução do dia "armas longas". Já no CESUC, a aula começou de maneira diferenciada. Primeiramente, colocamos os cintos táticos e pegamos as pistolas, colocando-as nos coldres. Depois, pegamos as armas longas e ficamos em formação.

A turma fora dividida em 3, ficando cada parte com um dos três instrutores da disciplina. Durante as práticas, fomos alternando os grupos pelos intrutores. Aprendemos e praticamos como fazer a troca de armas longas para as armas curtas, com a bandoleira de 2 e de 3 pontos e, também, sem o uso da bandoleira. Praticamos inúmeras vezes parados e em progressão a frente.

Ao final da intrução dei uma vacilada. Eu estava com uma das calibre 12 mais antigas e um dos instrutores mandou a gente abrí-las. Fiquei muito atrapalhado para conseguir, pois estou mais acostumado com umas calibre 12 mais novas e mais leves, que operam de maneira diferente. Vendo a minha dificuldade, um colega que foi xerife da minha turma me disse: "Aperta o gatilho." Como estava nervoso, fui no automático e sem pensar apertei o gatilho. Cristo, porquê fui fazer isso??? Fui severamente repreendido pelo instrutor qeu me mandou eu pagar dez apoios para compensar o vacilo. Fui dar a arma para um colega segurar para poder fazer as flexões de braço e o instrutor me disse para eu pagar as flexões com a arma na mão. Neste momento, parei e travei pensando: "Como diabos vou fazer isso???". Um colega atrás de mim me deu a dica, demonstrando como fazer. Era só eu deixar a cal. 12 apoiada nas costas das mãos. Imediatamente, fui ao chão para fazer as flexões. O colega que me deu o conselho de pressionar o gatilho afirmou que pagaria as flexões comigo, pois ele que havia dado o bizu errado. Nisso, um outro colega foi para o chão, depois outro, depois mais outro, quando fui dar conta, toda a parte da turma que estava ali com aquele instrutor estava no chão me acompanhando. Comecei comandando: "Em baixo... em cima!!!", sendo prontamente respondido pelo resto da turma que faziam a contagem das flexões. Foi muito legal ver mais um momento de união da turma em torno de um único indivíduo, no caso eu...

Um detalhe interessante, durante parte da instrução, fomos até uma parte do CESUC que normalmente não temos acesso. Da parte externa, dava para visualizar por algumas janelas várias camas beliche, sendo essas todas numeradas. Vi que uma tinha a numeração 145/146. Deduzi que essas camas vinham do CTCO em Aquidauana para que ficassemos alojados no próprio CESUC. Só não faço a menor idéia do porquê que o departamento não disponibilizou o alojamento para os alunos.

Acabada essa instrução, tivemos 2 aulas completamente teóricas em sala. Sem quaisquer novidades de nenhuma espécie, ocorrendo, inclusive, as rotineiras toradas da turma. A única coisa de incomum que ocorreu, foram as acomodações rochosas que ocorreram ao meu lado. Não é brinquedo não fera, toma um plasil antes da aula e manera no feijão no almoço.

A última instrução do dia foi a de armas curtas. Foi basicamente uma revisão do que treinamos na terça-feira. O instrutor falou que a aula deveria ser sobre panes na pistola e como solucioná-las, porém a nossa turma estava muito ruim nos procedimentos. E, desta forma, ele achava que não estávamos prontos para ir ao estande de tiro.

Após as instruções, durante a ordem unida, o orientador-geral falou que seria disponibilizada uma oficina no final do dia e no próximo sábado para que treinássemos e fossem sanadas as dúvidas de como montar e desmontar as armas curtas e longas , e alguns procedimentos de manuseio.

Nesta aula a parte, treinei basicamente como montar e desmontar a pistola e a carabina. Realizei esse exercício umas 10 vezes para cada arma, sendo de pronto auxiliado pelos intrutores que se encontravam no local. Foi excelente, muita gente ficou após o término das instruções para a oficina.

Quando eu estava desmontando uma das carabinas, ouvi o instrutor Fiel falando para uma das alunas: “Você tem que vencer essa timidez e tals... Repete comigo: INSTRUTOR VOCÊ É UMA PAU NO CÚ!!!” A colega se recusou a repetir. Ele afirmou que era pra ela falar de verdade, que não haveriam sanções. Disse: “Vai. Repete: INTRUTOR VOCÊ É UM MERDA!!!”. Novamente, a colega se recusou veementemente a repetir. Afirmando que não poderia fazê-lo, que era uma falta de respeito e tal. Como sou muito altruísta me ofereci a fazê-lo no lugar dela. O instrutor e a colega cairam na gargalhada. Daí o instrutor pegoui o xerife da semana o Pombo. Pediu a mesma coisa, afirmando que não haveriam retaliações da parte dele. O que o colega disse foi: “INSTRUTOR FIEL O SENHOR É MUITO... ahhhh... ehhhh... legal...” Ninguém aguentou, todo mundo que ouviu caiu na gargalhada novamente. Acredito que esses momentos de descontração sejam muito importantes para retirar um pouco das tensões das avaliações que ocorrerão na semana seguinte.

No final da oficina, fui com 2 colegas levar as carabinas para a sala em que elas ficam guardadas. Lá um instrutor mostrou pra gente várias caixas com armas de paint-ball. Acho que as simulações que virão no futuro serão muito divertidas. Conforme as aulas teóricas vão acabando, o curso fica a cada dia mais interessante.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

27º Dia... Oficina de Socorrismo...

Começamos o dia como de costume com a ordem unida. Esta fora bem rápida e, logo, nos dirigimos para a sala para a instrução de socorrismo. A aula foi em parte teórica e em parte prática, foi demonstrado como efetuar o rolamento da vítima com uma quantidade varíavel de socorristas.

Após a explicação, fomos começar os treinamentos. Alguns alunos, inclusive eu, tentamos executar as técnicas, lateralizando a vítima, colocando ela na maca, como levantar a maca e deslocar a vítima sem causar mais danos à vítima.

Depois de alguns treinos, 2 dos 3 instrutores da disciplina saíram da sala, chamando os alunos em quartetos para uma oficina de socorro. Cada grupo foi saíndo para a oficina, e relatarei como foi a minha.

Assim que fomos chamados, fomos os quatro para fora da sala e o instrutor deu a seguinte situação para nós. "Vocês receberam uma ligação em que afirmaram ter ocorrido um assalto a um banco, onde uma pessoa tinha sido baleada e que essa vítima era possivelmente um PRF." Pegamos o material de socorro e os simulacros das pistolas e nos deslocamos até o local onde "ocorreu" a situação. (Vestiário das turmas Alfa e Bravo)

Chegando ao local, visualizamos da porta a vítima (um dos colegas) deitado no chão e usando um capacete. Um dos colegas e eu entramos no vestiário para fazer a segurança do local, bem ao tipo do tropa de elite, "fatiou, passou". O colega mal entrou atrás de mim e gritou: "limpo!!!". Fiquei muito desconfiado, pois os armários estavam em posições diversas do normal, parecendo um labirinto. Então, como estava desconfiado, continuei mirando entre 2 dos armários que estavam mais a esquerda fazendo tipo uma porta. Neste momento, um dos instrutores apareceu entre os armários com um simulacro em punho. Como estava completamente na mira, só gritei: "Pow!!! Morreu!!!". O  instrutor colocou o simulacro em uma mesa e disse: "Estou fora, morri." Enquanto isso, o mesmo colega que afirmou anteriormente que o ambiente estava limpo, localizara outro instrutor atrás de outro armário e o mandou sair do local. O instrutor obedeceu e cumprira exatamente o que o colega ordenou, realizando corretamente o procedimento.

Fiquei muito contente com a atuação da equipe, pois, apesar de no começo o colega ter falado que o ambiente estava limpo, ninguém morreu na nossa oficina.

Após o ambiente estar realmente limpo, voltamos a nossa atenção ao atendimento à vítima, e fizemos os procedimentos, pelo menos tentamos. Um dos instrutores estava fazendo o papel do irmão da vítima e tentava nos distrair de todo jeito. Falava que estávamos fazendo errado, que queria ajudar, queria saber como estava o "irmão", o que tinha ocorrido, etc.

Uma determinada hora, fiquei irritado com o instrutor "irmão" e falei para ele se retirar do local e deixar os colegas realizarem o atendimento à vítima. No processo de retirada do instrutor, um dos armários quase caiu no chão. Sorte que consegui pegar o armário no meio do caminho e ele não chegou a cair.

O atendimento em si foi bem precário, como eram 4 pessoas para fazer o atendimento, fiquei um pouco sem ter o que fazer. Na hora de deslocar a vítima fiquei um pouco atrapalhado... está bem... confesso que fiquei muito atrapalhado. Ainda bem que o colega não chegou a cair da maca.

Depois do término da oficina, fiquei treinando  as técnicas de socorrismo com os colegas que já tinham feito a oficina e com os que ainda iriam fazê-la. Deu para praticar bastante, também deu para notar que não levo muito jeito para fazer curativos e este tipo de coisa. Acho que sou muito grosso para este tipo de coisa. Espero melhorar neste quesito até o término do curso.

Como última instrução da parte da manhã, tivemos uma aula teórica e bem demorada de direito administrativo. Mal posso esperar para que essas aulas teóricas acabem. Sinceramente, acho que já deveriam ter acabado. O departamento está dando muito ênfase nessas aulas, sendo que na pratica iremos utilizar muito pouco este tipo de coisa. Eu utilizo mais essas aulas para poder atualizar o diário, já que caso preste atenção na instrução, irei torar junto com o resto da turma.

Na parte da tarde, a primeira instrução foi a de legislação de trânsito. A aula corria tranquilamente, inclusive cheguei a torar em alguns momentos, até a hora em que surgiu o assunto do etilômetro e se o usuário seria obrigado a soprar o aparelho ou não. Os instrutores tentando arranjar embasamentos legais para que o infrator fosse obrigado a fazê-lo e alguns dos alunos mais "teóricos" afirmavam que uma pessoa com um pouco mais de conhecimento nunca sopraria o aparelho, pois invocariam aquele princípio jurídiico de que "ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo". A partir daí a aula se tornou uma confusão, a divergência imperava na sala. Um fato que achei interessante é que apesar de só termos 1/3 do CFP passado, vemos já a divisão entre uma galera mais operacional e uma mais teórica, e tudo isso antes de sermos PRFs. Não havendo muito consenso, enquanto um dos instrutores argumentava, o outro se aproximou da galera que estava mais perto e disse: "Galera, não levem isso aqui ao pé-da-letra. Teoria é uma coisa, e a pratica é outra. Não vamos nos aborrecer e nem arrumar problemas. Se o cara estiver muito bêbado, a gente dá a multa, apreende o veículo e libera o cara." Logo após essa tumultuada instrução, fomos trocar de roupa e seguimos para a instrução de ed. física.

Já devidamente vestido com o uniforme de ed. física, entramos em forma e fizemos um breve aquecimento e alongamento. Fomos, novamente, correndo até o quartel. Durante a corrida, o instrutor puxou um split nos últimos 200 metros e alguns alunos ficaram para trás, infelizmente estava neste grupo de retardatários.

Chegando no quartel, aferimos a frequência cardíaca. A minha, como sempre, estava acima da zona alvo. Realizamos um circuito que fizemos algumas semanas atrás. Na primeira volta no circuito, fiquei com uma colega como parceira para revesar nos exercícios. Alguns dos exercícios, eu acabava fazendo por ela. Por exemplo, quando a colega fazia o supino, eu ajudava ela e fazia uma remada em pé muito doida. Estou sentindo muita dificuldade em alguns exercícios (pernas e abdominais) e muita facilidade em outros (Peitoral, barra e rosca bíceps). Após duas voltas no circuito, voltamos correndo para o Cesuc.

De volta ao CT, fizemos um alongamento e relaxamento para finalizar a instrução. Na sequência, tivemos uma breve ordem unida, sendo liberados em seguida. Depois da liberação, alguns alunos aproveitaram para ficar treinando com as armas longas na quadra coberta. Queria muito ter ficado, mas estava ancioso por saber alguma novidade dobre a minha mudança e fui embora para minha casa.

P.S. A colega que fez a primeira volta no circuito comigo reclamou com o instrutor que estava meio pucado os exercícios nas instruções de ed. física. O instrutor falou que iria repassar as reclamações para a orientação e  esta por sua vez iria repassar para Brasília e que ela deveria aguardar para ver o que iria acontecer. O instrutor chegou até a comentar que um dos alunos  havia pedido hoje para sair do curso por causa do ritmo do CFP.

terça-feira, 7 de abril de 2009

26º Dia... Novo Vacilo do Xerife e Corrida na chuva da Charlie e Delta...

Hoje durante a "bronca unida", o xerife deu uma vacilada muito engraçada. Depois do nosso brado, ao invés dele falar "FORA DE FORMA!!!", ele inverteu as palavras e disse: "FORMA DE FORA!!!!". Foi muito engraçado, não teve um que não riu do ocorrido. Claro que esse fato não passou despercebido pelos instrutores que novamente caíram na pele do xerife. Durante o CFP os vacilos não tinha perdão por parte dos instrutores.

Após a ordem unida, deslocamos até o ginásio, palácio das artes marciais, para mais uma aula de defesa policial. Lá, treinamos, basicamente, técnicas de torções nos braços e punhos. Fora simplesmente uma aula de aikidô. Não houveram muitas novidades, só mesmo as novas técnicas que foram demonstradas.

Como segunda instrução tivemos mais uma aula teórica sobre legislação de trânsito.  Uma ocorrência engraçada foi o fato de que um dos dois instrutores perguntou se alguém já sabia imitar o outro instrutor da disciplina que tem uma maneira peculiar de falar. O colega Vende-se afirmou que sabia imitá-lo. Então, o instrutor o desafiou a fazer a imitação explicando o tópico da matéria na frente de todos. O vende-se aceitou e o imitou muito bem, foi tudo muito engraçado, explicou a matéria igualzinho o instrutor. Acho que o colega tinha que abandonar a carreira de PRF e tentar alguma coisa relacionada ao humor, pois ele é muito engraçado e iria se dar muito bem. Todos riram, não tinha como ser de outra maneira. O restante da instrução correu sem maiores novidades.

Como última instrução da parte da manhã tivemos a instrução de armas longas. Primeiramente a turma fora dividida em 3 grupos, ficando um instrutor responsável por cada grupo. O meu grupo ficou treinando com a carabina, como municiá-la, carregá-la e recarregá-la. Ficamos um bom tempo treinando isso e em várias posições.

Depois de treinar com as carabinas, passamos a treinar com as calibre 12. Deveríamos ficar na posição de mira e ir carregando a mesma conforme íamos avançando em linha, uns ao lado dos outros. Os alunos que estavam ser arma deveriam ir atrás dos que tinham e ir recolhendo os cartuchos que eram ejetados nas simulações de tiro. Depois de alguns treinos, trocamos de lugar com aqueles que não tinham arma e continuamos o exercício. Algumas armas de tão velhas tiveram várias panes, inclusive uma das calibre 12 chegou a quebrar. Achei tudo aquilo uma lástima. Infelizmente, o meu grupo não pode realizar a manutenção das armas por falta de tempo; ficamos, assim, desfalcados neste quesito.

Após o almoço, como primeira instrução da parte da tarde tivemos uma aula teórica de relações humanas. Não tenho muito do que falar desta aula. Depois da matéria ter sido explicada pela instrutora, fizemos um pequeno trabalho em grupo. A turma fora dividida em trios e deveríamos dar um exemplo de uma espécie de conflito. Como sempre, teve aluno torando em sala. Eu mesmo mal consegui me mater acordado.

Finalizando as instruções do dia, tivemos a instrução de armas curtas. A aula aconteceu na quadra coberta, sendo completamente prática, tivemos que municiar o carregador, alimentar a arma e carregá-la. Claro que tudo foi demonstrado antes pelos instrutores, inclusive as suas variações, já que há mais de uma forma de alimentar a arma. Todos os procedimentos foram realizados sob os comandos do instrutor, que utilizava de um apito para sinalizar o início da execução do exercício.

Alguns alunos, em especial as mulheres, tiveram uma maior dificuldade em munciar o carregador; sendo muito cobradas pelos instrutores por causa disso. A turma em si está com dificuldades em se manter em linha e recebemos muitos esporros por isso, tendo em vista o quesito segurança. "Aluno, você está ajoelhando para frente!!!"; "Você irá se expor para a arma do colega!!!!"; "Tomem cuidado, porque após o disparo não adianta pedir desculpas ao colega!!!!"; "Como vamos levar vocês ao estande, se nem municiar direito vocês conseguem?!?!?!?"; etc...

Tirando os inúmeros esporros, não que não fossem necessários, a aula foi bem proveitosa. Treinamos diversas vezes os mesmos procedimentos, acho que a turma por inteiro está se sentindo mais segura em relação ao armamento. Os instrutores falaram que irão requisitar alguns horários extras para que possamos treinar mais os procedimentos. Óbvio que essas aulas extras serão fora do horário normal das instruções.

Finalizando o dia, tivemos a bronca unida e fomos liberados sem grandes delongas.

P.S. Quando estávamos nos deslocando para a quadra, as turmas Charlie e Delta estavam já reunidas no pátio para a aula de ed. física. Depois de uns 5 minutos, começou a chover como se não houvesse amanhã, e as turmas continuaram o alongamento e o aquecimento naquele aguaceiro. Achei incrível a falta de infra-estrutura do departamento. Acredito que seria mais inteligente realizar os exercícios em algum local fechado quando não houvesse condição metereológica para a prática de exercícios ao ar livre.

A chuva permaneceu caindo por mais de uma hora direto e sem trégua. Contudo, as turmas saíram assim mesmo para a corrida até o quartel. No retorno das turmas, alguns alunos pareciam que tinham voltado da guerra, estando completamente cobertos de lama. A blusa, que era branca, estava mais escura que as calças caqui que utilizamos. Não me impressiona que vários alunos estejam doentes e alguns deles baixados.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

25º Dia... Vacilo do Orientador Pedagógico...

Hoje, durante o esporro unido, ocorreram 2 fatos que marcaram o início da semana, um engraçado e outro muito chato. O fato chato foi que o atual xerife, o Pombo que rachou o quarto comigo no TAF, deu uma travada ao comandar a turma. Os instrutores não perdoaram e caíram na pele dele: "O sr. sabe o que está fazendo?; Raciocina, xerife!!!; Anda logo, Xerife; o sr. está sugando a turma; etc"

O outro fato foi cômico. O orientador pedagógico substituto ao dar um comando para as turmas deu uma falhada muito sinistra na entonação. Foi, mais ou menos, assim: "ATENÇÃO, CURSO!!!!; DESCANSAR... armas..." O  "armas" dele saiu como um ganido de uma bixona. Foi demais, está sendo o comentário do dia, senão o da semana. O quê mais se ouve pelos corredores do Cesuc, é que o orientador perdeu a moral com o curso.

Após a desagradável "colada de placa" do xerife da semana, pegamos os micro-ônibus e fomos para a instrução de abordagem. Só que ao invés de irmoa ao estádio de futebol, o "verdão", fomoes para o quartel do exército. Lá, treinamos algumas técnicas já explicadas anteriormente e, para isso, tivemos que rolar no chão. Resultado: a blusa ficou da cor da calça, ou seja, marrom. Não acredito que as blusas duraqram até o final do curso. Só pra ilustrar, uma das minhas camisetas de ed. física já está começando a puir.

Após essa revisão, aprendemos como abordar e revistar indivíduos que conduzem motocicletas. Como já ocorre em todas as disciplinas práticas, o tempo foi escasso, não dando tempo para treinarmos várias vezes para assimilarmos bem as técnicas.

Terminada a instrução, alguns alunos se voluntariaram para levar as motos, que eram do exército, para o local específico para guardá-las. Eu fui um desses alunos voluntários, e, sinceramente, me arrependi de ser voluntário, pois o local era mais ou menos distante e tivemos que levar as motos empurrando. O grande problema, é que todas as motos estavam com o pneu vazio e com o guidon enferrujado; para completar, o deslocamento fora em parte andando e, na sua maior parte, correndo.

A terceira instrução da parte da manhã foi sobre fiscalização de trânsito. Aprendemos vários macetes de como verificar a autenticidade das CNHs e CRLVs, chegamos até a manusear uma lâmpada de luz negra. è muito interessante visualizar e notar as peculiaridades dos documentos. É relativamente simples notar manualmente se o documento é falso, mas é muito mais seguro, senão necessário, utilizar os equipamentos de verificação do DPRF.

Após o almoço, como primeira instrução da parte da tarde, tivemos uma aula teórica em sala. Foi bem chato, inclusive um colega chegou a trocar de lugar, ficando ao meu lado para poder torar mais discretamente durante a instrução.

Como última instrução do dia tivemos a aula de ed. física. Depois de um breve aquecimento, fomos correndo até o quartel do exército ao som daquelas marchinhas que "incentivam" a galera. Chegando lá, fizemos uns exercícios que misturavam corrida com coordenação motora. Ou seja, ou corríamos de um modo diferenciado ou corríamos executando alguma outra coisa durante o trajeto, saltos, por exemplo. Tudo fora extremamente extenuante, ao final das diversas séries, a galera estava literalmente "colocando as tripas pra fora". Após uma outra série de abdominais e flexões, voltamos ao Cesuc da mesma maneira que viemos. Sinceramente, não sei como consegui chegar ao Cesuc.

Encerrando o dia, tivemos mais uma sessão da "bronca unida". Na ocasião, o instrutor Fiel afirmou que por estarmos muito sem rédeas, a ordem unida voltará a ocorrer todos os dias, para o encerramento das atividades. O instrutor citou como exemplo a não ser seguido, que um dos alunos da turma Charlie havia chegado para as instruções embreagado.  Outra coisa que fiquei sabendo, é que a turma Charlie terá que alterar o seu brado, porém não sei o motivo.

sábado, 4 de abril de 2009

24º Dia... Dinâmica de Grupo e Apresentação...

Fui ao Cesuc e cheguei bem cedo e fiquei esperando o portão se abrir. Após alguns minutos este se abriu e me dirigi ao vestiário para trocar de roupa. Ao contrário da turma que já estava vestindo o kimono para a aula de defesa policial, coloquei o uniforme normal e me dirigi à sala-de-aula. Falei com o xerife que ficaria em sala para não diferenciar da turma que estava toda de kimono. Fiquei na sala e ouvi a "bronca unida", esta correu sem maiores novidades; em seguida, a minha turma saiu para pegar as vans.

Não sei o quê a minha turma está aprendendo hoje, estou eu aqui em sala, sozinho, escrevendo estas linhas e aguardando o retorno da turma. É muito estranho estar aqui, sozinho, depois de passar praticamente todos os dias com mais de 40 pessoas. Fiquei refletindo por tudo o quê passei para estar aqui e o que estou vivendo no momento em Cuiabá.

Quando a turma retornou do ginásio e logo perguntei para um colega como foram as atividades. Pelo que me foi relatado, a aula foi bem tranquila, que o aquecimento foi ridículo, praticamente inexistente. Em relação as atividades em si, a turma aprendeu a contra-atacar algumas agressões como socos e chutes no estilo karate kid. Fiquei chateado por não ter participado da aula, já que só não fui por causa do aquecimento rigoroso. Deixa pra lá, não poderia adivinhar como seria a instrução.

A próxima instrução foi a de armas longas, foi excelente. A turma fora dividida em 3 e cada parte ficou com 1 dos instrutores. O instrutor que ficou com a minha parte da turma é ótimo, na minha opinião um dos 2 melhores do curso. Aprendemos o procedimento correto de como fatiar uma esquina com segurança, sem darmos qualquer parte do corpo para o infrator visualizar. A aula toda fora basicamente isso. Utilizamos 1 banheiro desativado do Cesuc para treinarmos as técnicas. Sem dúvida a instrução de armas longas está sendo a melhor do curso.

Completando a parte da manhã, tivemos uma aula teórica de trânsito, sem maiores novidades. A única alteração foi que 1 dos instrutores não veio para a aula e ficamos então com o professor gaúcho ministrando toda a auala. Para uma aula teórica, até que não houve muita toração em sala.

Após o almoço, a 1ª instrução da parte da tarde foi a de armas curtas, sendo esta praticamente toda teórica. Nessa instrução aprendemos como municiar o carregador, alimentar a arma e carregá-la. Sinceramente, não sabia que havia mais de uma maneira de alimentar e carregar a pistola. Também aprendemos como solucionar as panes mais comuns da pistola. Incrível como os detalhes são inúmeros. Espero que se um dia eu precisar realizar alguns desses procedimentos, eu lembre exatamente como fazê-los.

Como última instrução da semana tivemos a de relações humanas, foram basicamente várias dinâmicas de grupo. O iobjetivo destas é desenvolver o trabalho em grupo e a liderança.

Na dinâmica do meu grupo (Shortinho, Getúlio, Vende-se e eu), primeiramente, a instrutora mandou a gente desmontar 3 pistolas e 1 calibre doze. Ou seja, cada um tinha que desmontar uma arma. Um colega perguntou se alguém queria ficar com a doze, claro que me ofereci para desmontá-la. Desta forma fiquei com a calibre doze e desmontamos todas as armas. Após estarem todas desmontadas, a instrutora disse que a gente estava recebendo uma ligação comunicando uma emergência e que deveríamos montar as armas o mais rápido possível. Como a calibre doze é bem fácil de montar e desmontar, o fiz bem rápido, sendo o primeiro a terminar. O shortinho ficou bem enrolado para montar a pistola, eu e um outro colega o ajudamos a terminar de montá-la.

Na sequência a instrutora falou para nós a seguirmos, mas que não havia necessidade de levarmos as armas, porque, afinal, não eramos policiais. Neste momento, eu parei e pensei: "Não era pra ser uma simulação do cotidiano de um PRF no posto? Como vamos sair sem levar as armas?" Fiquei estático, com a calibre doze na mão, sem saber o quê fazer. Os colegas foram atrás da instrutora e ouviram um esporro: "Como é que vocês saem para atender uma emergência sem levar as armas?!?!" Desta forma, o resto do grupo retornou, pegaram as pistolas e fomos juntos até a quadra coberta.  Chegando lá a instrutora perguntou quem estava com a doze. Apresentei-me e recebi uma venda em troca da doze. A dinâmica era a seguinte, eu deveria ser guiado vendado pelo grupo por um caminho demarcado previamente até um alve e acertá-lo com uma caneta pilot. Bem ao estilo daquela brincadeira de criança de colocar o rabo no burro. Sendo que eu mesmo me vendei, só que com o olho esquerdo eu conseguia ver um pouco do chão. Fui sendo guiado pelo Getúilo que ia contando os passos dele para me dar uma noção de espaço. Tipo: "NW dê 4 passos para a frente." Então, fui seguindo as orientações do colega, claro que olhando todo o caminho para não fazer merda.

assim, fiz todo o caminho sem maiores problemas, chegando ao final e quase acertando no centro do alvo. Nessa última etapa fui guiado completamente pelos colegas, pois, como disse anteriormente, só conseguia enxergar o chão.

O Getúlio, que foi quem me guiou todo o percurso, ficou tão feliz consigo pela proeza de ter me guiado com maestria que não tive coragem de contar a ninguém que estava vendo com um dos olhos o piso.

Após o término da dinâmica, recebemos uma visita do centro de cinotecnia da PRF. Primeiramente, algumas drogas foram escondidas em uma viatura, mais precisamente onde fica a tampa da entrada de combustível. Uma das 2 cadelas, uma pastor alemão, achou facilmente o esconderijo da droga, demonstrando onde estava estava escondida com as 2 patas. A segunda cadela, segundo o inspetor, um labrador, teria que achar uma trouxinha de maconha que fora colocada dentro de uma das pastas de um dos alunos dentre dezenas de outras dispostas em fileiras.

A cadela, que era identica ao cachorro do Bart Simpson, parecia que tinha cheirado uma carreira de cocaína, pois estava ligada no 220; ficou procurando por muito tempo sem achar absolutamnete nada. A busca teve que ser refeita várias vezes até que fosse encontrada a tal droga.  O inspetor tentou fazer uma gracinha perguntando o que era aquilo para o aluno dono da pasta, mas ninguém conseguiu achar muita graça. Acho que assim como eu, todos estavam impressionados negativamente com a cadela, afinal a cadela não achou a droga de primeira.

O inspetor, ao final, afirmou que se alguns alunos quisessem e tivessem o "tino" para trabalhar com cães, estes poderiam se oferecer para a área, pois com certeza haveriam algumas vagas.

P.S. Combinamos uma pequena confraternização em uma churrascaria. Fui com a minha esposa e no final dei uma carona para o Getúlio. A churrascaria era muito ruim, somente valeu a pena pela zoeira com os colegas.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

23º Dia... Atestado pra quê?!?!?

Hoje de manhã, fui ao cesuc e entreguei o atestado a um instrutor que abriu o portão de entrada. Este anotou o número do meu celular para o caso do orientador geral querer falar comigo alguma coisa e me liberou em seguida. No caminho de volta a minha casa, estava muito feliz por ter 2 dias de folga, quando, de repente, toca o meu celular; era o mesmo instrutor que abrira o portão minutos antes e rolou o seguinte diálogo.

Instrutor: "NW?"
NW: "Sim, senhor. Sou eu."
Instrutor: "O orientador deseja falar com você."
NW: "Ok, tudo bem."
Instrutor: "Então, ele te aguarda aqui na sala dele no CT." - desligando em seguida.

Não estava acreditando, achei que ele fosse falar comigo pelo telefone mesmo. Desanimado e desacreditando naquilo, dei meia-volta no carro e me dirigi de volta ao Cesuc, pensando no que aquele amável PRF queria falar comigo. Ao chegar, a vaga que eu tinha colocado o meu carro, já tinha sido ocupada e tive que estacionar lá na casa do chapéu. Fui andando até o portão e este já se encontrava fechado. Claro, afinal, já passavam das 07:00, que era o horário limite para os alunos adentrarem no Cesuc. Fiquei esperando alguém passar para que avisasse a um instrutor que eu tinha voltado por ordem do orientador.

Enquanto aguardava do lado de fora, ouvia as "orientações" dos instrutores na bronca unida, acompanhado pelos "Sim, senhor!!!!" e "Não, senhor!!!!". Após uns 5 minutos de bronca unida, ouvi um dos instrutores falar: "Vocês tem que entender que isso aqui não é nenhuma colônia de férias como uns e outros disseram na net!!", e isso foi seguido de um "PLACK" bem característico, seguido de um "PSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS". Pensei: "Putz, será que é CS?!?!?!?". Quase que imediatamente começou o festival de "cof-cof" generalizado e alguns alunos vieram correndo para o pátio na frente do Cesuc. Na sequência, veio um dos instrutores gente-fina de legislação de trânsito lacrimejando e tossindo. Pedi a ele que avisasse ao orientador-geral que eu estava ali a pedido dele. O instrutor falou que o portão de trás estava aberto e que eu podia entrar por ele e falar com o orientador na sala dele.

Comecei a dar a volta no quarteirão e pensei: "Bom, pelo menos me safei da sessão de gás!!!". Mal sabia o quê me esperava. Assim que dobrei a esquina, me deparei com uma nuvem de CS, dando de cara com ela. Senti de imediato os efeitos do gás, os olhos fecharam e o corpo começou a arder. Fui meio cego me aproximando do portão e pensei: "Meu Deus, nem disso me livrei." Ainda sob os efeitos do gás, fui ao encontro do orientador, que me informou prontamente que o atestado que levei somente me dava direito a me ausentar das aulas práticas, mas que nas instruções teóricas eu deveria ir e nas outras acompanhar a turma, sem participar. Afinal, "se tinha alguma coisa entupida por causa da gripe, o gás resolveu". Fiquei extremamente feliz com a notícia, pois queria aqueles dias para me recuperar da maldita gripe. Todavia, como me foi ordenado, fiquei para as instruções, apresentando-me para o xerife em seguida.

Nos dois primeiros tempos, tivemos a instrução de socorrismo. Aprendemos como retirar, em dupla, o capacete de uma vítima sem movimentos do corpo, a consequente estabilização do pescoço com o colar cervical, como imobilizar fraturas, utilizando talas e gaze; e como fazer curativos na cabeça da vítima. Deu para praticarmos bastante, excelente a instrução, apesar da minha condição precária. Detalhe, o orientador-geral ficou observando grande parte da instrução. Não sei o porquê dele estar ali, fiquei imaginando se ele tinha ficado com algum receio de eu passar mal e por causa do atestado sobrar pra ele. Não era mais fácil ter me liberado de cara? Enfim...

Nas 2 instruções seguintes, tivemos somente aulas teóricas em sala. Na segunda aula, o instrutor falou pra mim que tinha um aluno que estava postando no CW como estavam procedendo o cotidiano no CT. Cara que verde que ele lançou, dei uma de "Jonh Armless" e disse que o único que estava postando alguma coisa era o NW e que ele nem tinha postado mais nada no CW. Não sei pra que isso. Afinal, todo mundo já sabe quem eu sou mesmo.

Como última instrução do dia, tivemos a instrução de ed. física. Após um breve aquecimento, os baixados foram para a viatura para acompanharem o resto da galera que ia correndo. A viatura foi com 4 baixados, daqui a pouco terão que pegar um micro-ônibus para levar a galera baixada. A aula em si foi muito puxada, na maior parte do tempo da aula, as turmas ficaram correndo pelas ruas em torno do Cesuc. Durante o nosso acompanhamento, o câmbio da viatura foi para o espaço e ficamos esperando outra viatura vir nos buscar. A viatura chegou depois de um bom tempo, e voltamos a acompanhar a corrida das turmas. Em dado momento, falei com os colegas baixados: "Ainda bem que o dia está bom para correr. Está nublado, mas não tá chovendo." Foi só eu falar isso que, depois de 2 minutos, começou a desabar um temporal. A galera continou a correr no meio daquela chuva, até chegar ao Cesuc, chegando completamente encharcados. De volta ao Cesuc, fizemos um alongamento, seguido por um relaxamento. O instrutor de ed. física nos aconselhou a aproveitar melhor o nosso tempo livre para descansar e nos recuperar para as atividades do dia seguinte. Sem mais, fomos liberados.